Moçambique Aprova Cinco Novas Variedades de Batata-Reno para Reforçar a Segurança Alimentar e Reduzir Dependência de Sementes Importadas

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Texto: Rousseau Bila, foto: Marcos Niuais

Moçambique libertou, na quinta feira (21) para o mercado cinco novas variedades de batata-reno, numa iniciativa conduzida pelo Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM), em parceria com o Centro Internacional da Batata (CIP), com vista ao reforço da segurança alimentar e nutricional e à redução da dependência de sementes importadas. A proposta de registo oficial e libertação dos genótipos Maragui, PNIB9, Rosâmia23, LIMunda e Kadoda99 foi apresentada pelo Lourenço João Caunganha, investigador do IIAM.

A batata-reno é uma das cinco culturas alimentares mais importantes do país, fazendo parte das culturas eleitas para cesta básica no país, mas Moçambique continua a enfrentar um défice entre o consumo anual, superior a 500 mil toneladas, e a produção nacional, estimada em cerca de 297 mil toneladas. O país gasta ainda aproximadamente 3 milhões de dólares por ano na importação de sementes, devido à baixa produtividade, ao uso de sementes de fraca qualidade e à incidência de doenças como o míldio e a murcha bacteriana.

Os estudos foram realizados nas zonas agro-ecológicas de Chimbunila, Sanga e Lichinga, envolvendo mais de 500 produtores em ensaios conduzidos entre 2022 e 2025. As análises agronómicas, laboratoriais e sensoriais demonstraram elevado potencial produtivo, estabilidade e qualidade nutricional das novas variedades. Alguns genótipos alcançaram rendimentos entre 22 e 42 toneladas por hectare, muito acima das variedades actualmente cultivadas no país, disse o investigador.

Antónia Vaz, Directora Nacional de Sanidade e Biossegurança, do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP), anunciou que foram aprovadas cinco novas variedades de batata-reno, que passarão a integrar o lote de variedades já existentes no país, apresentando, contudo, vantagens significativas em relação às anteriormente libertadas. Segundo explicou, estas variedades destacam-se pela resistência a pragas e doenças, sobretudo à murcha bacteriana, considerada actualmente um dos maiores desafios para a produção de batata em Moçambique.

Já Abdul Naico, Director Nacional do CIP, alertou igualmente que Moçambique ainda enfrenta um défice de cerca de 90% na produção nacional de sementes de batata. No entanto, considera que, com a massificação destas sementes no âmbito do Programa PROCAVA, será possível reduzir gradualmente este défice de abastecimento no país.

Acrescentou que, com um programa intensivo de quatro a cinco anos, o país poderá alcançar maior estabilidade na produção de sementes, permitindo igualmente reduzir a saída de divisas para o exterior. Explicou ainda que a produção de sementes de batata é realizada durante a época fria, encontrando-se actualmente em curso a produção da batata de geração 1. Já entre Dezembro e Janeiro, período quente, procede-se à conservação da semente.

O evento realizou-se no MAAP e contou com a participação da Direcção Nacional de Planificação e Políticas, da Associação para a Promoção do Sector de Sementes, da Direcção Nacional de Extensão, da Mozambique Seed Trade Association, da União Nacional de Camponeses, da Repartição de Registo e Libertação de Variedades, do Instituto de Cereais de Moçambique, do Departamento de Sanidade Vegetal e do Departamento de Sementes.

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