Produzir Alimentos em Harmonia com a Natureza: Agricultura Sintrópica

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Por: Rousseau Bila e revisto por Cacilda Manhiça e Esperanca Chamba e Zelia Malate

No âmbito da realização do 3º Dia Aberto do Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM), foi realizada uma palestra marcante intitulada “Produzir Alimentos em Harmonia com a Natureza: Agricultura Sintrópica”, apresentada pela Enga Zélia Patrício Malate e moderada pela Enga Esperança Chamba. O evento aconteceu na Sala Zambeze, na sede do IIAM, e contou com a presença de 70 participantes, incluindo investigadores e técnicos do IIAM, estudantes da Universidade Eduardo Mondlane, Universidade Pedagógica e do Instituto Agro-industrial de Salamanga, além de produtores, representantes da Mdy Lda e da Rádio Voz do Islam.

A Engª Zélia Malate, investigadora do IIAM, iniciou a apresentação definindo o conceito de Agricultura Sintrópica. Ela explicou que essa técnica de produção imita a forma como as plantas crescem e interagem naturalmente nas florestas. Tendo dito que a agricultura sintrópica baseia-se nos princípios da sucessão ecológica e da estratificação natural das plantas, promovendo a restauração de ecossistemas ao mesmo tempo em que se produzem alimentos.

A agricultura sintrópica não se limita ao cultivo de uma única planta. Pelo contrário, utiliza diversas plantas, como árvores, arbustos, hortaliças, legumes e até flores, que crescem juntas, contribuindo para o equilíbrio do ecossistema. Cada planta desempenha uma função específica no sistema, desde a captura de luz até a decomposição de nutrientes, criando uma verdadeira sinfonia natural, conforme destacou Zélia Malate.

Ela frisou que um dos conceitos centrais da Estratificação Natural das Plantas é organização das plantas em diferentes camadas ou “estratos”, dependendo de suas características de crescimento. Isso permite que cada planta desempenhe uma função no ecossistema.

Durante a palestra, a Engª Zélia destacou os inúmeros benefícios dessa técnica inovadora, como:

Melhora a qualidade e estrutura do solo; baixo custo de produção; não usa  produtos químicos;

controlo natural de pragas e doenças, maior resiliência às mudanças climáticas; sequestro de carbono;  aumento da biodiversidade e produção de alimentos mais saudáveis e nutritivos.

Ela explicou que, para o estabelecimento da Agricultura Sintrópica, é necessário seguir algumas etapas essenciais a destacar: conhecimento das condições naturais do local do estabelecimento do campo sintrópico; escolher as espécies adequadas para cada ambiente; preparar o campo e construir os canteiros; adubação orgânica do solo (Esterco bovino, biocarvão); plantio de espécies pioneiras (resistentes a condições adversas); adicionar arbustos, fruteiras, espécies madeireiras e sementeira de culturas agrícolas e cobertura do solo com matéria orgânica (folhas).

Foi destacado durante a apresentação que a agricultura sintrópica exige monitoramento contínuo, como a medição do crescimento das plantas, poda, controlo de ervas daninhas, pragas e doenças. O acompanhamento é fundamental para garantir que o sistema continue saudável e equilibrado. Para uma solução voltada para um futuro sustentável, a apresentadora  afirmou que a agricultura sintrópica permite cuidar da natureza enquanto produzimos alimentos. Ao adoptar essa prática, podemos contribuir para a construção de um mundo mais equilibrado e saudável. A sinergia entre a natureza e a produção de alimentos não só promove a regeneração do solo, mas também oferece uma forma de cultivo mais sustentável, que respeita os ciclos naturais da terra.

Depois da apresentação, abriu-se espaço para pergunta e comentários pelo que foram levantadas e respondidas diversas questões tais como:

Terminada a palestra, houve a demonstração de como os campos sintrópicos são estabelecidos. Foi um exercício enriquecedor para os estudantes, produtores e todos os presentes.

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